Saudações Cavaleiros!
Recebi hoje um email hoje, no qual transcrevo aqui na integra, e gostaria que os senhores comentassem:
Boa noite, Fernando
Estou escrevendo este e-mail porque você me parece uma pessoa sensata e, como tal, merece uma resposta a seus questionamentos.
Eu sou o responsável pela classificação de RPG do Ministério da Justiça, mas fui contratado há poucos meses e não realizei a classificação do Manual dos Monstros. Por questão de ética profissional, não posso opinar sobre a decisão do analista que classificou o livro, mas ele não trabalha mais conosco. Também nesta época nós já havíamos perdido o estagiário que aconselhava quanto ao RPG, o que pode explicar a insatisfação dos leitores com a decisão tomada.
O livro fora analisado com o potencial violento de um jogo de ação e sangue, sem que houvesse explicação da parte da editora sobre o antagonismo inerente aos monstros descritos. Não se explicou. por exemplo, que o demônio sanguinário seria o alvo do paladino da justiça controlado pelo jogador, o que poderia atenuar o resultado final. Ele ficou com o peso de um protagonista.
Você provavelmente não conhece nossas normas, por isso vou informá-lo dos recursos que as editoras possuem para conseguir uma classificação mais baixa para seus livros:
1º - Toda editora tem o direito de enviar junto com o material (nós recebemos o livro todo bem antes do lançamento e lemos cada palavra) um relatório explicando que tipo de conteúdo de violência/sexo/drogas está presente e em que contexto. Na ausência deste relatório - e ele quase nunca vem - a editora perde uma chance de ter a classificação que ela prefere.
2º - Uma editora pode recorrer da classificação até duas vezes caso não concorde com o resultado. No caso do Manual dos Monstros, cuja classificação foi tão criticada, não ocorreu nenhuma reclamação junto a nós. Fica entendido que a Devir está satisfeita com o "não recomendado para menores de 18 anos".
3º - A editora precisa enviar junto ao material uma declaração de "classificação pretendida", mesmo não mandando o relatório citado no item 1º. Eu lamento o fato de que muitas vezes o pedido é incoerente, sendo que tanto um material de terror e assassinato quanto um escudo do mestre vem acompanhado de um pedido de "livre". As editoras deveriam estar atentas a que tipo de leitor vai comprar e usar cada livro. Se pedidos incoerentes acontecem o tempo todo, o grau de desconfiança do material aumenta.
Fernando, devo reforçar que nosso objetivo é proteger a criança e o adolescente e garantir o poder familiar, já que é isto que nos obriga a Constituição Federal. Dessa forma, nada é proibido, mas os pais ou tutores serão informados do conteúdo dos jogos e devem eles permitir ou não que o filho tenha acesso.
Eu fui contratado depois da saída do analista e do estagiário, por isso não os conheço e não estou preso a nenhum critério antigo de análise. A classificação como um todo (filmes, jogos, TV, RPG) está sempre passando por reformulações para atender melhor à população. Estou seguro dos meus critérios atuais e conhecimentos na área e farei o possível para manter uma classificação adequada ao conteúdo.
Por último, este e-mail está sendo enviado em caráter pessoal, em horário e meio diferentes dos que uso para trabalhar. Você pode comentar o conteúdo deste e-mail, mas ele não figura como resposta oficial do governo. Se estão vocês insatisfeitos com alguma classificação, lembrem suas editoras de que elas podem recorrer e se justificar. Este é o espírito da classificação em tempos democráticos.
Atenciosamente, Ferno Coast
Para os senhores que perderam toda a história, abaixo segue todos os links a respeito:
Censura 18 Anos: Resultado da Enquete
RPG e Notícia: Classificação Indicativa
Censura 18 Anos
RPG e Notícia: Cartilhas de Classificação
FenrirX®




































