Interpretação vs. Atuação


Saudações Cavaleiros!


Conversando com amigos nessas últimas semanas - nessa última mais, pois fiquei sem internet por 4 dias... - me vi balanceado quando um amigo meu, que sempre batemos um "papo-cabeça", tocamos no assunto sobre o que viria a ser o conceito de Interpretação em jogos de RPG de mesa. Vamos antes desmistificar o que coloquei como título do tópico:

Interpretação - é uma ação que consiste em estabelecer, simultânea ou consecutivamente, comunicação verbal ou não verbal entre duas entidades que não usem o mesmo código. É um termo ambíguo, tanto podendo referir-se ao processo quanto ao seu resultado - isto é, por exemplo, tanto ao conjunto de processos mentais que ocorrem num leitor quando interpreta um texto, quanto aos comentários que este poderá tecer depois de ter lido o texto. Pode, portanto, consistir na descoberta do sentido e significado de algo - geralmente, fruto da ação humana. (Fonte: Wikipédia)

Atuação - é a denominação dada à arte do ator, e outros artistas das artes cênicas. Consiste em imprimir, por meio de diversas técnicas, ou mesmo da pura intuição, vida e realidade a um personagem. Muitas vezes tida como fruto da inspiração, e até da possessão divina ou da racionalização das emoções, é a parte específica dos artistas da cena, e que nesta aparecem, diferentemente de dramaturgos e diretores. (Fonte: Wikipédia)


Nos RPG, quando vários jogadores começam a discutir sobre se um cenário/sistema é interpretativo, logo confundimos o primeiro, visualizando o segundo. Como um sistema incentiva a interpretação, pelo que vemos os mais puristas que levantam a bandeira de "assumir o papel" estão colocando o jogo em cheque com a atuação do teatro? Como pegamos uma ficha de personagem e temos que atuar, se nem percebemos que o que queremos é interpretar a atuação do personagem?

Confuso. Vamos aos fatos.

Em GURPS, os mais purista dizem logo que é o jogo que mais se interpreta (atua), pois seu sistema obriga a isso. Realmente, se temos um sistema que diz que seu personagem tem que ter isso ou aquilo, para poder ganhar pontos para incrementar mais ele, o sistema está obrigando ao jogador a seguir aquele conceito, não é?

Na linha Storyteller (o velho, não o novo), existiam a Natureza (o que o personagem era no íntimo) e o Comportamento (o que ele aparenta para os outros). O restante era o que o jogador moldava com seu prelúdio, cabendo ao narrador o fato de criar em torno disso. Então a complexidade da atuação era o que o jogador criava junto com o narrador? Fora que - atirem a primeira pedra - qual foi o jogador que não deixou se inspirar mais no Clã/Tribo/Seita/etc. do que na Natureza e no Comportamento do personagem?

Na linha Dungeons and Dragons, sempre existiram os Alinhamentos/Tendências. O eixo ordem/caos e bem/mal sempre foram os designadores para a interpretação dos jogadores, mesmo ele usando isso como desculpas para tomar certas atitudes. Então como existia a atuação?

O RPG, em sua essência, não é um Jogo de Interpretação de Papéis, pois se fosse desse jeito, seria um teatro, mas sim um Jogo de Interpretação de Fichas, onde estamos nos restringindo a interpretar - ou atuar, como queiram - o que está escrito. No exato momento que chega um xiita do RPG xingando certo jogador por que ele quer fazer uma ficha combeira ou tal, dizendo que o jogo é interpretação, será que vemos nossos próprios umbigos? Será que estamos realmente interpretando/atuando nossos jogos, ou somente refletindo o que somos? É certo dizer que jogamos um jogo interpretativo ou atuativo (com o perdão da palavra esquisita)?

Fica as perguntas no ar para os senhores avaliarem.

FenrirX®